terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Desabafo

Estão todos lá fora
Ainda não é hora de entrar
Bem que eu queria chamá-los agora
Mas ainda falta para acabar

E se eu perder a paciencia?
E se eu perder a pulsação?
E se eu chegar a demência?
E se for tudo ilusão?

Levaram o meu bom humor
Levaram meu sonambolismo
Mostraram-me o terror
Deixaram-me em ostracismo

Quando vão me notar?
Quando isso tudo vai acabar?
Quando vou poder gritar?

E se eu chamá-los antes do tempo?
Será que vou me sentir incompleta?
Será que vai mudar meu sentimento?
Ou talvez não exista hora certa.
Eu só não sei por quanto tempo vou aguentar.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Adeus! Adeus! Adeus!

Nunca tinha perdido alguém de quem eu gostasse, apenas os meus cachorros que foi doloroso também e a dor só passava quando eu ganhava outro ou ia para rua brincar com meus amigos, dentro de casa sempre me senti sozinha. Achei que quando isso fosse acontecer, iria receber algum sinal, algum mal estar, mas foi um dia normal. Eu não sei o que estou sentindo, às vezes meu coração aperta tanto e parece que vai faltar o ar, porém não sai nenhuma lágrima. Talvez seja porque já estavamos separados a muito tempo, apesar de nunca ter parado de pensar nele o sentimento foi mudando e só restaram imagens tão perfeitas ( nunca mais senti aquele frio na barriga). Pareço uma fã que acabou de perder o seu ídolo. Não sei o que machucou mais, se foi a morte, o modo como ele morreu ou estar sozinha neste momento, é como se eu estivesse no exterior e recebesse essa noticia pelo telefone público em um lugar cheio de gente onde não conhecia ninguém. Sinto-me mais forte e com mais aversão à tanta falsidade e contrarieda. Acho que posso suportar essa hecatombe na minha vida, pois não perdi só um amigo, eu perdi vários. Cadê eles nesse momento? Faz tanto tempo desde a última vez que saimos e mesmo assim foi tão vago e as conversas tão tediosas que pareciamos estranhos tentando forçar a barra. Eu posso ter culpa, mas como vou saber se todas as vezes que os questionava recebia as mesmas lorotas e desculpas sem explicação. Não tenho vontade de vê-los, não existe confiança e nem cumplicidade. Eu pareço uma idealizadora falando assim, essas coisas nunca existiram entre nós.
Sábado parecia até uma idiota, com vergonha de tomar banho. Isso vai de encontro a tudo que acredito a respeito da morte, pois, para mim, quando morremos nós perdemos nossos cinco sentidos. O pior de perder alguém, é que ficamos sem várias respostas e essa vai ser a minha penitencia pelo meu orgulho.