quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Dramaticandinho

Talvez nem devesse tomar água
Comer fibras, praticar esportes...
A minha profissão dispensa esses cuidados
Sou uma dramática melancólica
Apática, esnóbe
Pego algo e transformo em ão, íssimo
E por isso
é tamanha a importância da arritmia
da dor forçosamente espontânea
da lágrima-vinda-de-fora
Meu remédio é uma injeção de dramaturgia
Sorria!
Além disso o que resta?
Não precisarei saldar contas no fim do mês
Meus desejos não endividam
Só me enlouquecem


Sento e só
Estou sozinha e faz-se necessário imaginar que não.
Sorria!

E se eu conseguisse viver só?
Seria livre!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Cobiçagem parasitária

Moriçocas me chupam sem pedir licença

e com minhas mãos

amasso-as contra a parede

Elas já não encomodam

Seu corpo virou gosma

Cabou-se a sêde

E meu sangue já não é desejo

é só um entregador comum.