quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Pela calçada descalça

na calçada
vive-se
um dia
às vezes mais
a multidão
se aproxima
varrendo a vida
só a noite
no escuro
que é permitido
de dia
é paisagem
algo inerente
e quando loucos
gritam suas existências
à plateia indiferente
assusta-se
enxergam fantasmas
mortos, negados
a cada olhar desviado
mas estes que
gritam sem saber
gritam e gritam
por que seus corpos
já não são ouvidos
gritam por que incomodar
é a única forma de ter sentido
de manter-se vivo
e doem nossos ouvidos
doe nos omitirmos
doem nossos gritos contidos
até que tudo fica silencio
sufocado em raiva e desespero
tudo fica silêncio de novo
e seguimos em frente
cada vez mais ocos
cada vez mais frios

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